/ Gritos de Minha Alma: Meus Momentos - I

quarta-feira, agosto 22, 2007

Meus Momentos - I




Ouço Ernesto Cortazar,

que me inspira e emociona até às lágrimas,

com sua maneira ímpar de, ao tocar piano,

fazer como se ele seja uma extensão da sua alma sensíbilíssima...

Minha alma flutua e se remonta a uma época em que eu,

adolescente romântica e cheia de sonhos,

todas as noites, aguardando o sono chegar,

recostava a cabeça no travesseiro e viajava

nas asas doces e delicadas da imaginação,

pra encontrar o meu príncipe encantado, sem rosto,

mas, eu sabia, deveria estar em algum lugar

esperando por mim, para juntos, nos amarmos

e caminharmos juntos, de mãos dadas ou abraçados,

unidos por um grande e intenso amor...

Esperei e ele chegou...no bigodinho fino,

muito usado na época, na boca bem delineada e carnuda,

na voz profunda, nos olhos castanhos e aveludados que,

quando encontravam os meus, provocavam emoções

nunca sentidas pela minha alma, que nunca houvera

conhecido essa sensação maravilhosa do amor nascendo...

Nasceu e cresceu dentro do meu peito, agigantou-se

e me fez sonhar com alguém real, que eu via e procurava

avidamente em todos os lugares onde chegava...

Ele, quase dez anos mais velho do que eu,

homem relativamente já bastante vivido,

muito amigo dos meus pais e dos meus irmãos mais velhos...

Aquela figura que já era tudo para mim, um belo dia,

na véspera do meu aniversário de dezessete anos,

chegou e perguntou se eu queria ser sua noiva, ao que eu,

extremamente tímida, respondi que quem sabia era ele...rsrsrs...

que riu e disse que queria saber de mim...e eu aceitei...

ele mandou-me avisar ao papai

que iria me pedir em casamento no dia seguinte...

Entrei em casa esbaforida e contei logo à mamãe,

que era minha confidente...e nesta noite, quase não dormi.

Já noivos, numa noite de luar, ao nos despedirmos,

levei meu primeiro beijo na boca e fugi,

as faces rosadas de emoção, para contar a minha confidente

que, com toda a sabedoria própria das mães,

riu e perguntou se tinha sido bom, ao que eu respondi

que não sabia direito, porque foi quase

um beijo roubado e eu saíra correndo, envergonhada.

O interessante é que, de tão tímida que eu era,

esse beijo me foi roubado quando já tínhamos

quase três meses de noivado ( não tivemos namoro)...rsrsrs...

Mas, a partir desse dia, os beijos vieram,

cada vez mais quentes e emocionantes.

Talvez quem esteja lendo essas palavras

de um coração saudoso, não acredite,

mas, em mais de dois anos de noivado,

nunca houve mais intimidades do que beijos...

não que ele não tentasse, mas, eu não deixava

e ele sempre respeitou os meus limites.

Assim chegamos ao dia do casamento que,

ao mesmo tempo em que a felicidade reinava em meu coração,

quando eu parava pra pensar em como seria

a nossa primeira noite, estremecia de tanto temor,

porque o que eu sabia era que doía muito...

e doeu, porque eu, tensa, não permitia a penetração,

me esquivava e por mais que ele tentasse

me fazer relaxar e melhorar as coisas pra nós dois,

eu quase não o deixava me tocar,

com aquela inibição e timidez que me dominavam,

só conseguindo na segunda noite...e como doeu...!!!

Mas, na terceira, já foi melhor, eu gostei

e ele me fez, logo, logo, chegar ao céu, juntamente com ele,

quando nos sentimos um só, unidos em todos os sentidos,

eternizando aqueles momentos de amor e de tamanha beleza,

que eu quase levitava, de tanta felicidade...


Mais uma vez agradeço a quem teve a paciência de chegar até o fim desse texto, que não é interessante, bem sei, mas, que quero registrar aqui no meu Blog, no Recanto das Letras e em outros lugares onde tenha meus escritos editados, porque contam muito de mim, das minha emoções e dos meus momentos, felizes ou nem tanto...

Um abraço pleno de carinho e ternura!!!
Valderez de Barros.
Maceió, 22 de agosto de 2007.

Copyright © ago / 2007

By Valderez de Barros

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2 Comments:

At sexta-feira, 21 setembro, 2007, Blogger guilherme said...

Valderez, é incrivel o quanto vc e uma mulher corajosa ao publicar parte da sua vida conjugal com tanta sinceridade, isto prova a beleza interior que vc possui

 
At quinta-feira, 27 setembro, 2007, Blogger Angela said...

Quanta sensibilidade ao escrever Val, chega a emocionar. Como devia haver respeito naquela época. Já na minha geração não havia tanto, acho até que foi onde tudo degringolou, rsrs. Parabéns pelo blogger Val, é lindo! Beijos

 

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